(...) e vou definitivamente ao encontro de um mundo
que está dentro de mim, eu que escrevo para me livrar da carga difícil de uma pessoa ser ela mesma.
Em cada palavra pulsa um coração. Escrever é tal procura de íntima veracidade de vida. Vida que me perturba e deixa o meu próprio coração trêmulo sofrendo a incalculável, dor que parece ser necessária ao
meu amadurecimento —amadurecimento? Até agora vivi sem ele!
É. Mas parece que chegou o instante de aceitar em cheio a
misteriosa vida dos que um dia vão morrer. Tenho que começar por
aceitar-me e não sentir o horror punitivo de cada vez que eu caio, pois quando eu caio a raça humana em mim também cai. Aceitar-me plenamente? é uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado. É por isso que toda a minha palavra tem um coração onde circula sangue.
Tudo o que aqui escrevo é forjado no meu silêncio e na penumbra.
Vejo pouco, ouço quase nada. Mergulho enfim em mim até o nascedouro
do espírito que me habita. Minha nascente é obscura. Estou escrevendo
porque não sei o que fazer de mim. Quer dizer: não sei o que fazer com meu espírito. O corpo informa muito. Mas eu desconheço as leis do espírito: ele vagueia. Meu pensamento, com a enunciação das palavras mentalmente brotando, sem depois eu falar ou escrever — esse meu pensamento de palavras é precedido por uma instantânea visão, sem palavras, do pensamento — palavra que se seguirá, quase imediatamente — diferença espacial de menos de um milímetro.
in UM SOPRO DE VIDA
Clarice Lispector
[Ter fé em Cristo] significa, é claro, tentar fazer tudo o que Ele diz. Não haveria sentido em dizer que você confia em uma pessoa se não aceita o seu conselho. Assim, se você realmente se entregou a Ele, você deve tentar obedecer-Lhe. Mas tentar de uma maneira nova, uma maneira menos preocupada. Não fazer estas coisas para ser salvo, mas porque Ele já começou a salvar você. Não esperar ir para o céu como recompensa por suas ações, mas, inevitavelmente, querer agir de uma determinada maneira porque um primeiro brilho do Céu já está dentro de você. C.S. Lewis
A cada ano que vivo em comunidade,
a cada encontro, a cada atendimentoque dou
me convençode que não há nada
melhor que o tempo e um longo caminho
para fazer de nós pessoas
cada vez mais parecidas com Jesus.
Os sofrimentos, os projetos e metas sonhadas
e realizados em Deus,a vivência do
tempo dos homens e do tempo de Deus,
o fato de atribuir a Ele tudo de bom
que realmente já aconteceu em nossa vida,
e entender que as provações fazem
parte do caminho, me convencem
de que a palavra "caminho" é
um remédio para nós.
Assim, dedico esse poema a todos os
que querem encarar um caminho
de cura, libertação e conversão,
que durará o tempo de
nossa vida aqui na terra.
Quem se expõe, se compromete
Quem se compromete, amadurece
Quem amadurece, torna-se referência
aos que começam a se entregar a DEUS.
Desconhecido
A única coisa realmente boa do natal é a comemoração do nascimento de Cristo, que ater poderia não ser comemorado todos os dias. Mas os seus ensinamentos deviam serem praticados e levados todos, todos os dias. Dos pais pôs filhos, das escolas para os alunos, a todos do mais novo ao mais velho. Em vez disso só vejo pessoas querendo destruí a família e os valores nobres e familiar. E abaixar cada vez mais o ser humano a nível de um animal. Ou pior de uma besta infernal. Tiago Amaral
Afinidade
É o encontro de duas poesias que se conjugam,
num doce cordel de danças e sons
que a natureza aplaude com entusiasmo.
A afinidade não pede explicações,
razões
nem se preocupa com o movimento do vento,
sabe perfeitamente que o próprio vento
festeja e abraça a delicadeza do gesto
Poesia e afinidade tem perfume de amor
que envolve e embriaga a alma
que se liberta e plana sobre rios e vales,
espalhando encanto em todo canto;
O sol que se anuncia ao amanhecer revela o encanto,
deixado ao acaso;
A lua por sua vez recolhe o encanto
e o sopra na noite escura,
que se espalha em brilhantes estrelinha
para brindar seu entusiasmo e espanto do olhar;
No dia,
a poesia te acompanha e a afinidade te abraça em cada pequeno gesto que pratica,
tirando um pedacinho do que te faz falta,
mas que o outro se farta e e se completa.
Poesia meu anjo é você! ... e afinidade somos nós!!!
antonio carlos
Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora.
Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino.
Quem não pode suportar a dor da separação, não está preparado para o amor. Porque o amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça.
Aparece quando quer, e só nos resta ficar à espera. E quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que valeu a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro.
Rubem Alves
As duas personalidades que eu mais desejaria recriar em um filme seriam Napoleão e Jesus Cristo... Não representaria Napoleão como um general poderoso, mas como um ser fraco, taciturno, quase melancólico, e sempre importunado pelos membros de sua família. Quanto ao Cristo, gostaria também de modificá-lo no espírito das massas. Acho que a personagem mais forte, mais dinâmica e mais importante que já existiu, acabou por ser terrivelmente deformada pela tradição. Mostrá-lo-ia, então, acolhido em delírio por homens, mulheres, e crianças. As pessoas iriam ao seu encontro para sentir seu magnetismo. Não mais seria um homem piedoso, triste e distanciado; um solitário que acabou por ser o maior incompreendido de todos os tempos. Charles Chaplin
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
Jesus Cristo
Chego em casa
Encontro apenas seu perfume
Alimento certo, nutritivo para o ciúme
Um bilhete escrito com batom me diz assim:
"Entre um take e outro eu telefono, pense em mim"
Para me relaxar ligo a televisão
Mas que tolice a minha
Triste tentativa em vão
Ela me aparece com alguém que não sou eu
Vejo noutros braços tudo aquilo que é meu.
Vejam só vocês que foi que eu fiz
Fui me apaixonar por uma atriz.
Outra vez eu tento controlar meu coração
Mas meu controle é mais remoto
Que o que eu tenho em minha mão
Fecho os olhos, tento não pensar
Mas não consigo
Com ou sem controle
É sempre nela que eu me ligo.
Vejam só vocês que foi que eu fiz
Fui me apaixonar por uma atriz.
O telefone toca, ela me chama
Me lembra que me ama
Aquela voz macia
Diz que tem ciúme e quer saber
Se nela eu pensei
Durante todo o dia.
Roberto Carlos
Condenada
Por céus! Onde tu estás a entoar teu canto
Onde andas tu que já não te encontro
Escureceu-me os olhos!
Pareço não escutar a décadas a tua voz.
Atroz! Tão atroz me foste tu!
Já Não caibo em minha procura
Meu timbre entoa eterna amargura
Tua ausência me consome, me enclausura!
Foste tolo, descabido, quando desejaste ir...
E me foste tu!
E deixaste a mim!
Partiste e me deixaste perdida, diminuta
Vagando pelo mundo feito espectro imundo
Pálida, desfigurada, desnuda.
Ninguém te amará, como amo a ti
Ninguém será capaz!
Fora eu a condenada a viver assim
Sempre fora de mim, Numa eterna tortura
Pelos sepulcros da vida, vagando...
Sempre, e sempre, e sempre...
A tua procura.
Desconhecido
Encontro-me com os olhos vermelhos,
Teu coração foi-se embora do meu posto.
Repito várias vezes sob domínio do álcool,
Que vivo a minha vida num eterno desgosto.
Choro toda hora do dia,
Não se salva nada que se preste.
Estou me vendo no fundo do poço,
Onde agora, só me salva a cipestre.
Eu vivia sob a ilusão de ter você,
Sem saber que desde lá eu estive só.
O sentimento maior que havia, foi,
E hoje em dia de mim sinto dó!
Não, claro, nunca duvidei de tua palavra,
Nunca disse que não era verdade.
Meu amor próprio tem se acabo,
Parei! Pois de mim tenho piedade.
Queria que soubesse que ainda sofro,
Lastimável é isso de amar.
Sei de que nada adianta dizer,
Mas pra mim só sobrou o pesar.
~
Por passos calmos, frios,
Ando em direção do banheiro.
Acabar de uma vez com isso tudo,
Ver-me longe desse mau cheiro.
Choro, magoado com essa vida,
Que de patife só me fez sangrar.
Sangro pela última vez nela,
E digo que agora irei me matar.
Adeus amigos queridos de viajem,
Que tenham pena desse meu pobre corpo.
Teu amigo tantas vezes ignorado,
No banheiro de casa se encontra morto.
Desconhecido
ENCONTRO COM A PALAVRA
"Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino". A frase poética escolhida pelo autor de "O Encontro Marcado" para a sua lápide expõe de maneira sucinta, mas explícita, um pouco da personalidade, dos desejos e anseios de um protagonista da palavra. Um autor cuja pena produziu, desde a mais tenra juventude, textos fundamentados na sensibilidade capaz de captar a angústia humana como poucos de sua geração souberam fazer. Sobre ele, um dos maiores críticos literários brasileiros, Antonio Cândido, avalia: "Fernando tinha um olhar infalível para os pormenores expressivos e uma capacidade prodigiosa de invenção verbal". Com a morte de Sabino, encerra-se um tempo singular que, por um desses desígnios inexplicáveis, teve o mérito de reunir, em uma mesma época e em um mesmo cenário - a cidade de Belo Horizonte -, o famoso quarteto de escritores mineiros composto por Sabino e pelos amigos Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Sabino foi o único dos quatro a chegar aos 80 anos. O único a sentir a ausência corrosiva provocada pela perda das grandes amizades. Suas dezenas de romances, crônicas, novelas, correspondências e relatos de viagem trazem em sua essência o cerne de um dom raro: o de fazer dessas histórias uma ponte entre a ficção e a reflexão. Um elo entre o eu e o outro. Entre o particular e o universal. A narrativa de Sabino instiga os leitores à realização de uma busca rumo ao autoconhecimento - virtude característica dos grandes mestres da palavra. Foi assim com o personagem Eduardo Marciano que, desde 1956, com a publicação de "O Encontro Marcado", prossegue arrebatando corações e mentes. A escrita fluente e a leveza que dava a textos de temáticas muitas vezes angustiantes nasciam de um cuidado extremista de Sabino com a palavra. O mesmo que dedicou à música. Eclético, como todos que possuem espírito inquieto, Sabino era baterista de uma banda de jazz - estilo caracterizado pelo predomínio do improviso sobre a técnica. Assim também era Sabino na literatura: artista cujo compasso ritmado era marcado pela junção da técnica e da sensibilidade. A perda do escritor mineiro já seria motivo suficiente para que o reino das palavras ostentasse luto por prazo indefinido. Entretanto, dois dias antes, o mundo das letras, da filosofia, do pensamento dava adeus ao filósofo Jacques Derrida, famoso pela teoria da "desconstrução", cujo princípio era desfazer o texto do modo que foi previamente organizado para revelar significados ocultos. Suas pesquisas apontavam que, tanto na literatura como nas demais formas de arte, é possível observar - por meio de análises detidas - numerosas camadas de significados não necessariamente planejados pelo criador da obra. Assim como Sabino, Derrida era o único sobrevivente de um grupo ímpar de personagens que ajudaram a compor a história de uma geração. Juntos, Althusser, Barthes, Deleuze, Foucault, Lacan e Derrida tornaram-se conhecidos como "os pensadores de 1968". Desde então, o filósofo contribuiu sobremaneira para o entendimento de questões essenciais à compreensão do século 20. O autor de "Espectros de Marx" não se furtava, mesmo já muito doente, o direito de viajar pelos continentes lançando luzes sobre temas variados e polêmicos como a literatura, a política, a ética, os conflitos árabe-israelenses, a luta contra o aparthaid, os últimos atentados em solo americano, a rapidez dos processos tecnológicos. Derrida era um cidadão do mundo, um homem que viveu apaixonadamente e defendeu sua ideologia e seus propósitos de todos os modos. A justiça, os direitos humanos, a conquista da cidadania e a dignidade da pessoa humana eram, invariavelmente, bandeiras que empunhava em favor da edificação de um tempo mais pacífico e igualitário para povos e nações. Foi ele, também, o criador, em 1983, do Colégio Internacional de Filosofia, a que presidiu até 1985. Sem dúvida, as vidas de Sabino e de Derrida são exemplos de entusiasmo e de dedicação. Convites a uma existência mais pró-ativa, passional, conectada à nossa verdade interior e à procura da felicidade individual que se expande para o coletivo. Foram-se dois grandes homens. Ficam duas grandes lições. Que todos tenhamos sabedoria para apreender os ensinamentos que deixaram em seus livros e que os manterá, para sempre, vivos. Afinal, como afirmou Derrida em uma das tantas entrevistas que concedeu: "(...) a vida é sobrevida. Sobreviver no sentido corrente quer dizer continuar vivendo, mas também viver após a morte".
Publicado no jornal Diário de S. Paulo
Gabriel Chalita
Faz as malas e vem morar comigo? Sai correndo e vem de encontro ao meu abraço, vem ficar pertinho de mim. Eu prometo te fazer feliz, prometo te proteger e te aquecer nas noites frias, prometo te fazer carinho até você pegar no sono e te acordar enchendo de beijos, prometo está sempre te mimando como se você ainda fosse um bebê, prometo te abraçar forte para que se sinta seguro, prometo te arrancar sorrisos quando você menos esperar e enxugar suas lágrimas antes delas caírem. Então, vem? Vem que te faço feliz, vem que eu te cuido. Desconhecido
Fariseus e saduceus aproximam-se de Jesus e põe-nO à prova pedindo-lhe que lhes mostre um sinal de sua ligação com o Céu. (pois para eles o Messias esperado tinha caráter divino) Então Ele lhes ponderou: “Quando começa a entardecer, dizeis: ‘Haverá bom tempo, pois o céu está avermelhado’. Ou, pela manhã, dizeis: ‘Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho nublado’. Sabeis, com certeza, discernir os aspectos do céu, mas não podeis interpretar os sinais dos tempos?
Esta geração perversa e infiel pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será concedido, a não ser o sinal de Jonas”. (Jonas, um mito judeu que todos conheciam: o homem que foi engolido pelo peixe e depois de 3 dias foi vomitado por ele, permanecendo vivo. O sinal de Jonas alude à ressurreição de Jesus ao terceiro dia)
Mt 16, 1-4
Jesus Cristo
Laços insanos
Estes que me prendem aqui
Passam-se os anos
E, se quer em mim encontro.
A coragem necessária ou mesmo forças
Para algo que há muito já deveria ter feito
Se não fossem esses laços insanos...
Esse temor estranho que me corroe as vísceras
E o coração
A cada dia, um pouco de minha alma se esvai.
Mas por questões intrínsecas
Além das forças de minhas mãos
Inda, se o ouve bater no peito.
Fazendo correr o sangue
Em uma carcaça já quase sem alma
Ah! Se não fossem esses laços insanos...
Que nos prendem e nos sufocam
Colocando-nos entre a saudade e a solidão
Entre o amor e o ódio
Entre o certo e o errado
Mas o que seria mais errado?
O que fazem a ti, ou o que tu fazes a ti mesmo?
Laços eternos, laços insanos...
Não importa onde se está
Não importa a voz da razão
Tudo irá soar insanamente
Todos irão dizer que foi loucura
Más quem são os verdadeiros loucos?
Aqueles que se libertam
Ou aqueles que “vivem” acorrentados a crenças infundadas
Presos pelos seus laços insanos...
Ricardo Silveira
Lembrem-se disso, que nunca houve uma alma que foi até Cristo e Ele a abandonou! Lembre-se, novamente, que nunca poderá haver tal alma, pois Ele disse, "Aquele que vem até mim, de maneira nenhuma lançarei fora." Lembre-se, de novo, que toda alma que já veio até Cristo, foi porque o Pai a chamou - e que toda alma que chegou, descobriu, depois, que havia uma eleição de Graça que o englobava - e que Ele estava nela!
(...) Eu tenho pregado a vocês a Sua verdade e vocês a tem ouvido! Sim, e vocês tem sentido algo do seu poder. Entreguem-se a ela, eu peço a vocês. Se vocês se entregarem a ela, e forem até Ele e confiarem Nele, então regozijem-se, pois a linha do amor eletivo te enlaçaram! Você é dEle! Você não poderia, nem iria chegar a Ele em oração e simples fé se assim não tivesse de ser! Sua vinda a Ele prova que o Seu amor eterno chegou a você!
C. H. Spurgeon
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo a roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
E depois, cansado,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro...
Fernando Pessoa
Não mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta.
Onde eu exatamente me encontro?
O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.
O tempo é irrealizável.
Provisoriamente o tempo parou para mim.
Provisoriamente.
Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.
O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar.
Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minha necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.
Hoje, que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele.
O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida.
Acredito que eu consegui fazê-lo.
Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.
Não desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.
Simone de Beauvoir
O Espiritismo
O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é consequência direta da sua doutrina.
À ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à ideia.
Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte.
Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus.
Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus.
Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio.
Que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado.
Que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa vontade.
Sabe que não há criaturas deserdadas, nem mais favorecidas umas do que outras.
Que Deus a nenhuma criou privilegiada e dispensada do trabalho imposto às outras para progredirem.
Sabe que não há seres perpetuamente voltados ao mal e ao sofrimento.
Que os que se designam pelo nome de demônios são Espíritos ainda atrasados e imperfeitos, que praticam o mal no espaço, como o praticavam na Terra, mas que se adiantarão e aperfeiçoarão.
Sabe que os anjos ou Espíritos puros não são seres à parte na criação, mas Espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do progresso.
Que, por essa forma, não há criações múltiplas, nem diferentes categorias entre os seres inteligentes, mas que toda a criação deriva da grande lei de unidade que rege o Universo e que todos os seres gravitam para um fim comum que é a perfeição, sem que uns sejam favorecidos à custa de outros, visto serem todos filhos das suas próprias obras.
Allan Kardec
Os fariseus e os saduceus aproximaram-se de Jesus e, para o provar, pediram que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Então Ele lhes ponderou: “Quando começa a entardecer, dizeis: ‘Haverá bom tempo, pois o céu está avermelhado’. Ou, pela manhã, dizeis: ‘Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho nublado’. Sabeis, com certeza, discernir os aspectos do céu, mas não podeis interpretar os sinais dos tempos?
Esta geração perversa e infiel pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será concedido, a não ser o sinal de Jonas”.
Mateus 16,1-4
Jesus Cristo
Por isso é que eu lhes digo: não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que a comida? E o corpo não vale mais do que a roupa? / Olhem os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros? / Quem de vocês pode crescer um só centímetro, à custa de se preocupar com isso? / E por que vocês ficam preocupados com a roupa? Olhem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. / Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. / Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, muito mais ele fará por vocês, gente de pouca fé!
(Mt 6,25-30)
Jesus Cristo
Portanto, não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? / Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. / Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. / Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade.» (Mt 6,31-34) Jesus Cristo
Procuro, procuro, mas não encontro dentre as multidões, procuro aquele olhar, aquele lábio, aquelas mãos, procuro-te em outras pessoas, mas não te encontro. Sonho, sonho tanto contigo, tu me procuras nos meus sonhos e não me deixas dormir. Quero tanto estar contigo por um minuto, nem preciso de tocar-te, apenas olhar nos teus olhos e deixar que as minhas lágrimas contassem todo o meu segredo daquele que só a minha saudade sabe contar para ti. Sinto que estás cada vez mais próxima, estou em vias de atrair-te para que a minha vida se torne mais fantástica e ficar entusiasmado com a tua presença. Gosto de ti. Desconhecido
Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo...Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem. C.S. Lewis
se os romanos te tiram pra Cristo
e os cristãos te chamam Satã
se te dizem que foi ontem
ou mandam voltar amanhã
se colorados te acham gremista
e gremistas te acham pé-frio
se te deixam fora da lista
gregos, troianos, judeus e gentios
se, no fim das contas,
chegas à triste conclusão
de que "não tem jeito,
todos eles têm razão"
relax...
respira fundo...
mesmo que o som do telefone
pareça o fim do mundo
embaixo da cama, atrás da porta
vindo na tua direção
pode não ser uma jibóia
pode ser paranóia, meu irmão
...
por todos os lados
o mesmo inimigo
quando fogo cruzado
é fogo amig
Humberto Gessinger
Senhor, neste dia em que me encontro...
Venho te pedir-te a paz, o amor, a sabedoria e a força...
Quero olhar o mundo com os olhos do amor,
Quero ser paciente, compreensivo, manso e prudente.
Quero ver além das aparências humanas,
Assim como o senhor vê,
E assim exaltar senão o bem, o amor e a paz a cada um!
Pai, protege meus ouvidos de toda a maldade,
Firma meus passos no caminho da verdade...
Que só de bênçãos se encha meu espirito e meu coração...
Que seja tão bondoso e alegre!
Que quando todos quantos se chegarem a mim...
Sintam tua afável e doce presença...
Reveste-me de tua graça!
E que no discurso deste dia eu não te ofenda e sim te revele a todos!
Desconhecido
Ser Humano
Autor: LCF
11 de dezembro de 2014
Na minha cama encontro-me a escrever;
Com uma amargura do tamanho do mundo.
Sabendo que cada palavra vale ouro;
A personalidade do ser revela-se no diálogo.
(E é na escrita que os sentimentos se aprofundam.)
12 de dezembro de 2014
É estranha a sensação de se estar vivo…
Como se as pessoas fossem mudar imediatamente;
Caímos na tentação de fazer algo acontecer;
Esperando uma revolução, uma nova forma de ver.
(E é na casa do amor que te chega a desilusão.)
A morte aproxima-se sem darmos conta.
Quando queremos ver a luz, já é noite.
Na proximidade do ter, deixamo-nos corromper;
Sem nos apercebemos que o fútil conquista.
(E é a partir do amargo que se desencadeia o doce.)
13 de dezembro de 2014
Só, escondido num canto, acompanhado da minha própria sombra;
Percebo que poderia ter ignorado as palavras rudes;
Mas cruciais foram os insultos para me fazer crescer.
Os momentos são elétricos, os pensamentos, frios.
(E é no beijo que tudo renasce.)
15 de dezembro de 2014
Ontem (14), eu dormia na minha escrita…
Hoje, quero elevá-la até ao infinito.
Quanta é a força dos cinco sentidos humanos!
Quanta é a beleza das paisagens naturais!
(E é no entendimento de cada letra que uma frase se constrói.)
(E é na junção do urbanismo com a natureza que o fantástico acontece.)
Eu perco-me na sensibilidade dos meus encantos;
Mas sei que a minha consciência fala quando estou a ser perigoso.
8 são os beijos oferecidos;
80 são os olhares de lado.
(E é no momento das minhas recaídas que vejo que o meu coração está a ficar sem baterias. Como carregá-las?)
(E é quando me encontro num patamar superior que percebo que o céu não é nada afinal…)
(E é vendo uma luz que sei quando agarrar uma oportunidade.)
16 de dezembro de 2014
É incrível a forma como o exterior me faz pessoa!
As roupas não deveriam passar de trapos simples…
Então, porque irei pensar naquilo que me faz feliz ou não?
Falarei por todos deste planeta se concordarem comigo.
(E é na alucinação que os meus pensamentos se conformam.)
Conto nos dedos os restos dos meus dias.
Serei aquilo que me quiseram tornar;
Ou aquilo que me tornei realmente.
Quando chegar a hora, o braço estará estendido, a mão puxar-me-á.
(E é hoje que sairei do meu esconderijo, se assim for necessário.)
(O Homem é o pássaro engaiolado que sairá em liberdade, um dia.)
(O verdadeiro amor descobre-se quando não são precisos mais cupidos e flechas.)
(As paredes do teu coração serão pintadas de acordo com a magia dos teus atos.)
(Saber o sentido da tua existência não é obrigatório…
Apenas importa o poder de criar.)
Eu mostrarei à humanidade que viver é abstrato, essencial.
E mostrarei também que a morte possui as mesmas qualidades.
LCF
Sou biólogo e viajo muito pela savana do meu país. Nessas regiões encontro gente que não sabe ler livros. Mas que sabe ler o seu mundo. Nesse universo de outros saberes, sou eu o analfabeto. Não sei ler sinais da terra, das árvores e dos bichos. Não sei ler nuvens, nem o prenúncio das chuvas. Não sei falar com os mortos, perdi contacto com os antepassados que nos concedem o sentido da eternidade. Nessas visitas que faço à savana, vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim e a afastar-me das minhas certezas. Nesse território, eu não tenho apenas sonhos. Eu sou sonhável.
(E se Obama fosse africano?)
Mia Couto
Um dia ela nasceu , cresceu e desabrochou , sentindo o calor do sol.
Alimentava-se da água da chuva e quando deitava-se , no quentinho da terra, dormia com a luz da lua.
Acordava de manhã, ouvindo o canto dos pássaros e encantada com o ronco dos trovões, banhava-se nas águas do rio.
Anoitecia e ela cansada dormia serena , embalada pelo brilho das estrelas.
E novamente amanheceu , ela acordou e percebeu, que o seu tempo havia passado , que já estava velhinha.
Mas com muita sabedoria olhou para o céu agradeceu e disse :
“ Desperta natureza deste sono ;
Acorda vem depressa me abraçar.
Permita que meus olhos veja o encanto
De seu último encontro em meu olhar”.
Regina Coeli
Um encontro de Paulo Freire e Ariano Suassuna e a aula-espetáculo dada por Ariano sobre a amizade:
Outra boa história, desta vez protagonizada por brasileiros, também traduz muito bem o significado da amizade. Ela é narrada pelo mestre paraibano Ariano Suassuna em suas famosas aulas-espetáculo, em que o escritor conta “causos” deliciosos a respeito de suas amizades. Um deles tem como personagem o educador Paulo Freire, um amigo queridíssimo de Suassuna. O escritor revela que, certa vez, encontrou Freire num evento e, muito saudoso – fazia muito tempo que não se viam -, correu em desabalada carreira para abraçá-lo, e o fez de forma efusiva, festiva e carinhosa. Como era um evento de grande porte, vários fotógrafos e cinegrafista da imprensa presenciaram o encontro, mas não tiveram tempo suficiente de escolher os melhores ângulos registrar as imagens espontâneas e comoventes dos dois mestres. Pediram então a Suassuna que repetisse a cena do abraço fraternal. Perplexo com a solicitação, o criador de "O Auto da Compadecida" – famoso pelo senso de humor e pela sinceridade – rebateu em seu sotaque inconfundível: “Ó ómi, onde já se viu? Então será possível representar amizade e afeto? Só se eu fosse ator! Como não sou, não posso fazer a cena de novo, não. Vocês me desculpem.” Nessa oportunidade, Suassuna deu uma aula-espetáculo sobre a amizade, sentimento desprovido de qualquer representação, fingimentos e farsas.
Gabriel Chalita
Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu Jesus Cristo
«Ouçam, portanto, o que a parábola do semeador quer dizer: Todo aquele que ouve a Palavra do Reino e não a compreende, é como a semente que caiu à beira do caminho: vem o Maligno e rouba o que foi semeado no coração dele. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a Palavra, e logo a recebe com alegria. Mas ele não tem raiz em si mesmo, é inconstante: quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, ele desiste logo. A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a Palavra, mas a preocupação do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse com certeza produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta por um.»
(Mt 13,18-23)
Jesus Cristo
“… São 7 horas da manhã, vejo Cristo da janela, o sol já apagou sua luz e o povo lá embaixo espera, nas filas dos pontos de ônibus, procurando aonde ir… São todos seus cicerones, correm pra não desistir, dos seus salários de fome, é a esperança que eles tem, neste filme como extras, todos querem se dar bem… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas… Estranho o teu Cristo, Rio, que olha tão longe, além, com os braços sempre abertos, mas sem proteger ninguém, eu vou forrar as paredes, do meu quarto de miséria, com manchetes de jornal, pra ver que não é nada sério, eu vou dar o meu desprezo, pra você que me ensinou, que a tristeza é uma maneira, da gente se salvar depois… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas…” Cazuza